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LAPA: UMA STARTUP ENTRE PERDIDOS E ACHADOS

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A Lapa criou um dispositivo que podemos colar aos objetos que perdemos com facilidade (ou que tememos perder) e que, associado a uma aplicação, nos permite facilmente chegar até eles em caso de desencontro. Um negócio que não escapa ao mais distraído dos investidores. Já angariou 100 mil dólares em crowdfunding, acaba de fechar uma ronda com investidores privados, tem clientes em 60 países e conquistou uma parceria com a Benetton que dará ainda muito que falar. 
 
Quantas vezes desejou ser possível telefonar para o comando da televisão, perdido no sofá, ou “dar um toque” às chaves do carro, cuja perda nos impede de sair a todo o gás para aquela reunião importante? Um sinal sonoro bastava para que pequenos objetos do nosso quotidiano facilmente fossem identificados no local exato onde os esquecemos. A Lapa Studio tem a solução. Pensar no “molusco gastrópode, de concha univalve, pertencente à família dos Patelídeos, utilizado na alimentação, que aparece com muita frequência preso aos rochedos do litoral” (definição da Porto Editora para a palavra “lapa”) é o melhor que temos a fazer para perceber o conceito proposto pela empresa do Porto e, desde logo, constatar quão bem lhe assenta o nome escolhido para entrar no mercado.
 
Recém-chegado de Silicon Valley, onde uma vez mais constatou o potencial do projeto lançado em novembro de 2012, João Lobato Oliveira explica tecnicamente o conceito de falamos: “a Lapa Studio, Lda, é uma empresa que oferece soluções de hardware software baseadas na tecnologia Lapa, uma tecnologia assente em Bluetooth Low Energy (novo Bluetooth de baixo consumo) e uma aplicação móvel, atualmente para iOS e Android”, sintetiza. Sobre a utilidade e âmbito de utilização destas soluções que decorrem da fusão entre hardware e software, o empreendedor sublinha que “a Lapa foi desenvolvida com o objetivo primário de proteger pertences pessoais, animais e crianças, e evitar que estes se percam”. Ou seja, especifica João Lobato Oliveira, “a Lapa é um dispositivo que comunica com a Lapa App e juntos oferecem várias funcionalidades que permitem encontrar qualquer objeto perdido, proteger objetos ou até animais de estimação e pessoas”.
 
Mas o esforço empreendido no desenvolvimento e comercialização da Lapa promete novidades para um futuro próximo. “Estamos a trabalhar para otimizar e expandir o leque de aplicações da tecnologia Lapa e a desenvolver um conjunto de novas ideias baseadas na mesma tecnologia”, adianta o empresário. João Lobato Oliveira, de 29 anos, e Luís Certo, de 30, juntaram-se em novembro de 2012 para transformar a ideia Lapa em negócio, tendo como ponto de partida um investimento próprio de 2 mil euros. 
 
Em setembro de 2013, conscientes de o financiamento seria crucial para a expansão, abalançaram-se numa campanha de crowdfunding, que angariou 100 mil dólares. O empreendedor não esconde que, por constrangimentos de ordem financeira, outros projetos semelhantes, que surgiram entretanto impulsionados pelo aparecimento da tecnologia Bluetooth Low Energy e “que beneficiaram de grande investimento inicial”, acabaram por antecipar-se no mercado, ainda que os responsáveis da Lapa tenham noção de que “não existia qualquer produto semelhante” quando começaram o seu desenvolvimento, e que, por isso mesmo, têm trunfos para vir a liderar o mercado.
 

LAPA 2.0 NASCE PRESA À INOVAÇÃO

A corrida está ainda no início e João Lobato Oliveira garante que, hoje, a Lapa tem trunfos estratégicos, difíceis de equiparar. “A nossa estratégia de conquista da preferência de marca passa por criar pontos de diferenciação e manter uma base de clientes fiéis. Aliando um dispositivo elegante a um desempenho sem falhas e uma aplicação móvel com um design cuidado, compatível com mais de 150 dispositivos, e fácil de usar, apostamos na qualidade e oferta de uma solução completa de perdidos e achados”, assegura.
 
Além disso, solução e empreendedores têm vindo a somar conquistas, quer ao nível do investimento, quer ao nível das sinergias de negócio que podem estar na origem de um salto significativo nos próximos tempos. “Fechamos recentemente uma primeira ronda de investimento com investidores privados que nos permitiram alargar a nossa equipa e arrancar com o desenvolvimento da Lapa2.0”, refere com entusiasmo João Lobato Oliveira. 
 
O empresário admite, porém, que será ainda necessário “capital adicional para alavancar a produção e dar resposta eficiente à procura de mercado”. E sobre a procura, e porque a propósito da Lapa só nos ocorrem verbos e palavras do campo lexical de procura, não podemos deixar de referir que a Lapa já encontrou clientes em mais de 60 países. “A Lapa teve adesão internacional desde o início do projeto. O facto de termos recorrido ao crowdfunding e de vendermos principalmente online permitiu-nos atingir mercados estrangeiros desde muito cedo”, conta o empreendedor. A internacionalização propriamente dita está agora a ser operacionalizada nos seguintes países: Bélgica, Canárias, Malásia, Estados Unidos e Canadá.
 

EMPREENDEDORES À MODA DO PORTO, MAS DE OLHOS POSTOS NO MUNDO

A Lapa é um projeto fundado pela dupla João Lobato Faria e Luís Certo, com sede no Centro de Incubação Portugal Global, uma das infraestruturas da ANJE, no Porto. João, de 29 anos, nasceu na invicta onde se fez mestre e doutor nas áreas de engenharia eletrotécnica e informática. Fez ainda um pós-doutoramento em Tóquio. Luís Certo, por seu turno, tem 30 anos, nasceu em Bragança, mas é no Porto que está prestes a terminar o doutoramento na mesma área. 
 
A dupla de empreendedores partiu então do Porto para a expansão global e já conseguiu convencer a Benetton. Trata-se de uma parceria que, além de dar provas de potencial, pode vir a abrir novas portas. “Fizemos uma Lapa laranja exclusivamente para uma linha de mochilas desta marca, que deve entrar nas lojas no início do próximo ano escolar”, adianta João Lobato Oliveira. Sobre a expansão, o fazedor explicou ainda que a Lapa está “a trabalhar no sentido de expandir a empresa através de parcerias de distribuição”. Além de uma joint venture com um parceiro nos Estados Unidos e no Canadá, a startup já tem parcerias com distribuidores locais na Bélgica, nas Canárias e na Malásia, estando a negociar acordos noutros países.