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Ossos do ofício empreendedor

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Claudia Ranito, vencedora do Prémio do Jovem Empreendedor, apresenta-nos a start-up Medbone, uma referência global da regeneração óssea. 

 
Espanha, Dinamarca Polónia, Kuwait, Cambodja, Hong Kong, Colômbia, África do Sul e Moçambique já utilizam os substitutos ósseos desenvolvidos pela Medbone, empresa que acaba de ser distinguida com o Prémio do Jovem Empreendedor da ANJE. A jovem empresa é mais um exemplo de inovação made in Portugal e com vocação global. Utilizados na cirurgia ortopédica e dentária, os dispositivos médicos idealizados por Claudia Ranito têm propriedades únicas, o que faz do negócio criado em 2008 uma referência na área da regeneração óssea. Com um investimento de cerca de 600 mil euros, o projeto continua a empenhar-se em I&D, um auspicioso sinal de que o sucesso não ficará por aqui. 
 
Claudia Ranito explica que o patenteado processo de fabrico utilizado pela Medbone permite produzir “estruturas com propriedades semelhantes ao osso natural, com elevada porosidade e resistência mecânica”. A flexibilidade de todo este processo possibilita ainda o desenvolvimento de “implantes à medida dos pacientes”, complementa a empreendedora de 31 anos. 
 
São, por isso, múltiplas as utilizações possíveis destes dispositivos. “O médico pode optar por utilizar o nosso osso sintético em qualquer paciente, desde os casos de pequenas falhas ósseas, nomeadamente por motivos de fraturas, extrações de quistos, tumores, entre outros, até aos casos mais complexos de elevada perda óssea”, afirma a engenheira de materiais, com mestrado na mesma área. Tudo porque as soluções da Medbone são 100% sintéticas e não comportam riscos de transmissão de doenças.
 
A empresária especifica ainda que estes substitutos podem também funcionar temporariamente, até serem substituídos por novo tecido ósseo, uma vez que “esse novo tecido ósseo vai crescer no interior do implante” e o implante acabará por ser “lentamente reabsorvido”. Quando questionada sobre as vantagens de introduzir esta tecnologia no sistema nacional de saúde, Claudia Ranito contextualiza: “as opções disponíveis e recorrentes para o tratamento de falhas ósseas passam por recorrer a banco de osso, osso doador humano ou osso doador animal. A utilização dos nossos substitutos ósseos sintéticos apresenta vantagens económicas relativamente às opções existentes, sem o risco de transmissão de doenças, o que tem um valor incalculável”. 
 
Passos de gigante e cartas na manga 
 
Estes foram os fatores decisivos para que os produtos da Medbone tenham conseguido penetrar no mercado mundial. A entrada nos Estados Unidos da América será o próximo passo de gigante a dar pela empresa. Na manga, a CEO natural da África do Sul diz guardar novos produtos e estar ainda a trabalhar no desenvolvimento novos dispositivos.
 
Seis pessoas colaboram atualmente naquela que é a primeira iniciativa empresarial de Claudia Ranito. Depois de 10 anos de experiência na área da I&D de biomateriais, a empreendedora detetou esta oportunidade de negócio e tem vindo a conseguir munir-se dos apoios necessários para o lançamento da empresa, como foi o caso do programa Neotec – Criação de Empresas de Base Tecnológica. “Além disso, foram investidos capitais próprios, recorreu-se a um empréstimo bancário em situação muito vantajosa e temos interesse constante de Business Angels, capitais de risco e grupos de investimentos conceituados”, confessa. 
 
Elogiando a crescente aposta nacional no empreendedorismo, Claudia Ranito destaca a importância do reconhecimento do Prémio do Jovem Empreendedor, admitindo ainda que se trata também de “um estímulo e incentivo para que todos os jovens acreditem que é possível”. A empreendedora, que já viu o seu projeto empresarial ser reconhecido por outras entidades, vê na ANJE “uma mais-valia para todos os jovens empresários”, destacando “o apoio constante” ao nível de “coaching”, “definição de estratégias financeiras ou de marketing” e até ao nível da “rede de contactos”. 
 

 

02.03.2012