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HealthyRoad usa inteligência artificial para aumentar a segurança ao volante

Destaque
Fadiga, adormecimento e acidente é o ciclo do problema que a HealthyRoad resolve com recurso à inteligência artificial. A startup finalista do Prémio do Jovem Empreendedor da ANJE lançou a primeira versão da sua aplicação em 2016 e a resposta dos condutores foi muito positiva: 5000 downloads numa semana. Desde então, a solução de monitorização do comportamento e estado físico do condutor já começou a ser utilizada pelas multinacionais BMW, Bosch e Huawei em projetos de inovação e as previsões de faturação revelam um crescimento de 500% entre 2017 e 2018. Saiba como a HealthyRoad quer combater a sinistralidade rodoviária pelas palavras de André Azevedo, cofundador do projeto tecnológico.
 
Como surgiu a ideia de criar a HealthyRoad em 2013?
 
A ideia surgiu por parte do Filipe Oliveira, que desafiou o André Azevedo e o Filipe Monteiro a tentarem resolver o problema do adormecimento ao volante.  Nessa altura descobriram que o problema era comum, visto que todos já tinham passado por situações de adormecimento ao volante e acharam estranho não existir tecnologia capaz de ajudar o condutor a evitar esta situação.
 
A HealthyRoad trouxe uma proposta pioneira para o mercado ou já existia concorrência?
 
Já existiam duas empresas a trabalhar na área, uma australiana e uma americana. No entanto a solução deles era extremamente cara, pelo que o nosso foco foi tentar democratizar a solução através da criação de opções mais baratas. Para isso foi necessário desenvolver diversas atividades de investigação e criar algoritmos mais leves, mas com a mesma qualidade e precisão.
 
Qual foi a recetividade do mercado e o balanço que fizeram do lançamento da primeira aplicação da HealthyRoad em 2016?
 
Em 2016 lançámos a versão mobile da nossa tecnologia com vista à democratização da tecnologia. A aplicação HealthyRoad era gratuita e foi um sucesso. Na primeira semana chegamos a mais de 5.000 downloads e ainda hoje temos condutores a utilizar o nosso aplicativo.
 
Percebemos, com esta primeira versão da app, que o foco da empresa deveria ser duplo. Ou seja, deveríamos focar-nos em vender a tecnologia aos fabricantes e fornecedores automóveis e, ao mesmo tempo, fornecer uma alternativa ao mercado através da utilização dos dispositivos móveis. Esta estratégia mantém-se até aos dias de hoje, razão pela qual iremos lançar uma nova versão da aplicação até ao final de 2018.
 
Qual a importância do trabalho direto com psicólogos e médicos no processo de construção do software?
 
A equipa da HealthyRoad não dispõe de todo o conhecimento científico necessário, especialmente no que toca à construção de algoritmos de inteligência artificial relacionados com a saúde. Para isso recorremos a médicos, psicólogos e centros de investigação para que possamos trabalhar em conjunto e criar estes inovadores algoritmos.
 
De referir que o algoritmo que desenvolvemos para medição do batimento cardíaco, por exemplo, tem vindo a despertar o interesse de grandes empresas como a Ford, a Tesla, a Honda, entre outros. É incrível ver elementos destas multinacionais incrédulos ao ver a tecnologia a funcionar.
 
Como se deu o processo de captação dos três clientes multinacionais da HealthyRoad?
 
Foram processos extremamente complexos, pois estas multinacionais – BMW, Bosch e Huawei - só recentemente começam a olhar para as startups como os seus novos departamentos de inovação. O que estamos a fazer em cada uma delas é inovar.
 
O caso da consola central da Bosch é um exemplo. Para este projeto criámos em conjunto uma nova consola central que dispõe de tecnologia para avaliação do condutor. Nós desenvolvemos os algoritmos e a Bosch desenvolveu todo o hardware. Este projeto culminou na criação de um produto que está atualmente em processo de comercialização.
 
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EUROPA, ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA E CHINA SÃO ALVOS PRIORITÁRIOS PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO

 
A HealthyRoad é um negócio com orientação definida para o mercado global desde o primeiro momento. A startup tecnológica baseada no Porto já tem mercados externos referenciados para explorar e uma estratégia de entrada definida. O objetivo é combinar o now-how especializado da startup com o hardware de excelência e a capacidade comercial de grandes empresas, de forma a garantir o crescimento conjunto das organizações envolvidas.
 
Qual a postura da HealthyRoad no que diz respeito à expansão internacional?
 
Nós somos bons a desenvolver algoritmos de inteligência artificial para monitorização de pessoas, pelo que estamos a criar parcerias com empresas que sejam capazes no desenvolvimento de hardware e que tenham um foco comercial mundial. O objetivo é que, em conjunto, consigamos vencer e ter uma presença forte e global, especialmente na Europa, nos Estados Unidos da América e na China. Portugal, pelas suas características, não é o nosso mercado alvo, mas é o melhor sítio para se viver e alojar a nossa principal equipa de desenvolvimento.
 
Quais os próximos passos da HealthyRoad?
 
O nosso próximo passo é crescer. No mercado automóvel queremos desenvolver mais três provas de conceito com empresas alvo. Já na área de tecnologia queremos continuar a desenvolver os algoritmos que dispomos no nosso portefólio e lançar para o mercado mais soluções inovadoras. No mobile, queremos lançar a aplicação nas versões Android e iOS com os algoritmos mais avançados que dispomos.

 
Crescimento de 500% deixa boas indicações sobre 2018
 
O percurso da HealthyRoad no mercado revela uma trajetória ascendente desde 2017 até aos dias de hoje. Questionado sobre o nível de faturação da HealthyRoad, André Azevedo revela: “Em 2017 fechámos o ano com uma faturação de 20 mil euros e esperamos crescer 500% até ao final de 2018 alcançando a meta
dos 100 mil euros”.
 
A captação de investimento é uma preocupação para o presente
 
Depois de ter participado no Startup Chile e angariado 200 mil euros de investimento, a HealthyRoad volta a abrir as portas à entrada de investidores. “Sim, vamos em breve abrir a possibilidade aos investidores de se juntarem à nossa empresa. Procuramos ‘smart money’, ou seja, investidores que, além do capital, tragam conhecimento técnico e de mercado para crescermos de forma sólida”, revela André Azevedo.
 

BI DOS EMPREENDEDORES

André Azevedo - profissional licenciado em Engenharia Electrotécnica que possui vasto conhecimento nas áreas de gestão, prática comercial e inovação.

Filipe de Monteiro - Filipe de Monteiro concluiu o Mestrado integrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e o mestrado em Engenharia Biomédica, dispondo de um profundo know-how na área de processamento de imagem e inteligência artificial.

Filipe Oliveira (cofundador que não está atualmente ligado ao projeto) - Licenciado em Engenharia de Computação e Instrumentação Médica e Pós-Graduado em Economia e Gestão da Inovação, dispõe de um vasto conhecimento nas áreas de gestão, negociação e no desenvolvimento de hardware.

14.09.2018