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Startup On Board Festival encerra Restartup

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Empreendedorismo, aceleração, financiamento, capital de risco, internacionalização e expansão foram alguns temas em debate no Startup On Board Festival, evento realizado no passado dia 29 de novembro, tendo o rio Douro como cenário de fundo. A iniciativa assinalou o encerramento do Restartup - projeto operacionalizado pela ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, a Universidade do Porto e a TecMinho – e contou com uma centena de pessoas a bordo, entre jovens empreendedores, startups, scaleups, investidores, corporates, incubadoras, aceleradores e outros players do ecossistema nacional de empreendedorismo.
 
O término do Restartup deixa uma pegada construída pela conjugação de esforços e valências entre a ANJE, a Universidade do Porto e a TecMinho. Nesta pegada cabem os contributos, as ideias, a criatividade e a resiliência de centenas de jovens empreendedores envolvidos no projeto em diferentes iniciativas como o ASA – ANJE Startup Accelerator, as Sessões de Coaching “Fix, Test & Flip to the Market” ou as várias paragens do roadshow “Born Global”. 
 
Para assinalar o encerramento desta jornada de aprendizagem bilateral, a ANJE, em conjunto com a Universidade do Porto e a TecMinho, preparou um programa com cinco painéis temáticos e um objetivo central: transmitir insights relevantes para os jovens empreendedores que estão a arrancar ou a preparar o seu negócio para um novo patamar competitivo.
 
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OS DESAFIOS DOS PRIMEIROS DIAS E A RELAÇÃO CORPORATES/STARTUPS
 
No primeiro painel do Startup On Board Festival, os “Early days challenges” ou desafios dos primeiros dias de existência das startups estiveram em foco, com a apresentação das perspetivas e experiências de João Rodrigues (CEO da Youbeep), Diogo Ferreira (cofundador da Streambolico) e Luís Roque (CEO da Huub). Para João Rodrigues, o arranque da Youbeep foi uma certeza, pois a startup chegou ao mercado com uma ideia validada e o investimento angariado para os primeiros passos. O CEO do projeto destacou uma dificuldade sentida nos primeiros meses da empresa: manter o alinhamento e a cultura emocional da empresa. 
 
Já Diogo Ferreira defende que o recrutamento é muito importante. “É importante passarmos aos primeiros colaboradores a ideia de que se falharem, falhamos todos e se tiverem sucesso, temos todos”, referiu o cofundador da Streambolico. O empresário destacou ainda a importância de garantir que o primeiro financiamento captado, caso seja essa opção dos fundadores, traga capital aliado ao know-how e não apenas o dinheiro por si só. Na opinião de Luís Roque, CEO da Huub, “os primeiros investimentos da empresa são cirúrgicos e o processo de recrutamento dos primeiros colaboradores tem de ser rigoroso”. O empreendedor acrescentou ainda a dificuldade sentida no agendamento das primeiras reuniões, quando a empresa ainda não tem o produto totalmente afinado.
 
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Passados os primeiros dias, as startups assumem, normalmente, novos objetivos de crescimento e uma das vias pode ser o desenvolvimento integrado numa corporate. Esta foi a matéria em discussão no segundo painel, com a partilha das abordagens da EDP Ventures, dos IT LABS da Sonae (BIT) e da comunidade ENTER da Altice.
 
Rafael Pires, IT Labs Program Manager da Sonae (BIT), explicou que a abordagem da Sonae “é pragmática e orientada à validação de hipóteses. O timing é uma questão importante: a tecnologia pode ser interessante, mas se não for prioritária é necessário gerir a expectativa das startups e perceber qual a melhor altura para avançar na ligação com a Sonae”. 
 
Já Patrícia Candeias, ENTER Startup Community Manager da Altice, revelou que na Altice “contactamos primeiro diretamente com os departamentos B2B e B2C para perceber as necessidades atuais e depois procuramos, no nosso portefólio, soluções para os desafios apresentados”.
 
No caso da EDP Ventures, Frederico Gonçalves revelou que além do trabalho referido nos anteriores dois casos na gestão de referências e portefólios, o organismo “participa em rondas para investimento de equity e viabiliza provas de conceito” de forma a perceber a utilidade das soluções das startups para a EDP. No total, a EDP Ventures já investiu 25 milhões de euros em 14 projetos. 
 
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O ECOSSISTEMA DE OPORTUNIDADES E O INVESTIMENTO POR BUSINESS ANGELS E CAPITAIS DE RISCO
 
A terceira reflexão da manhã no Startup On Board Festival reuniu em palco Diogo Ferreira Pinto (Head of Acceleration da Porto Design Factory), Alexandre Mendes (Diretor Executivo da Startup Braga), Jorge Pimenta (Project Manager do IPN), Maria Miguel Ferreira (Diretora da Startup Portugal) e Rafael Pires (ScaleUp Porto.) sob o propósito de apresentarem um conjunto de oportunidades para a incubação e aceleração dentro de Portugal e fora de portas. Cada um dos quatro players revelou os programas de aceleração e as oportunidades de aprendizagem atualmente ativas, bem como o perfil das startups e dos empreendedores procurados. A StartUp Portugal aproveitou ainda para dar nota do conjunto de missões que está já a operacionalizar fora de portas com as presenças, já a decorrer, no Slush e no TechCrunch.
 
A última reflexão a bordo foi dedicada à partilha das exigências e dos processos inerentes ao investimento por business angels ou agentes de capital de risco. Lurdes Gramaxo, partner da Busy Angels, foi a primeira oradora a tomar a palavra e explicar que há um trabalho de casa a fazer pelas startups. “Eu aviso as startups previamente: comecem a ‘namorar’ os investidores e falem com outros empreendedores que já passaram pela experiência que vão viver”, refere a oradora sobre o processo de preparação para pitch de investimento ou processos de negociação. Sobre o perfil de startups investidas, Lurdes Gramaxo afirmou: “Investimos sempre em empresas de base tecnológica e perfil escalável. Investimos, por norma, em pré-seed, seed ou, no limite, early stage”. 
 
Já Frederico Gonçalves, principal da EDP Ventures, realçou: “Há diferentes tipos de investidores no mercado. Nós, por defeito, queremos estar no segmento de smart money". "O nosso objetivo é maximizar os resultados financeiros, mas também dar um avanço estratégico ao negócio e garantir às startups novos clientes e planos fora do nosso universo”, complementou o responsável. Os tickets de investimento da EDP Ventures variam entre 500 mil euros e cinco milhões de euros e têm como destinatárias as empresas tecnológicas ligadas ao setor energético e, preferencialmente, na fase early stage.
 
Adão Oliveira, investment manager da Portugal Ventures, afirmou que “a Portugal Ventures investe em todos os setores, com tickets entre 300 mil e 500 mil euros, dando preferência a empresas que incorporem uma abordagem tecnológica ao mercado”. Sobre a importância do momento de “Exit” no investimento em novos negócios, o responsável da Portugal Ventures observou: “Obviamente temos em consideração o momento de exit, mas na Portugal Ventures investimos mais com a próxima ronda de investimento no horizonte". "Mas para nós o projeto tem de apresentar potencial para a exit desde o primeiro momento”, afirmou o responsável.
 
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NETWORKING À MESA E APROXIMAÇÃO AO ECOSSISTEMA AUSTRALIANO
 
Na conclusão do quarto painel, a tripulação do Startup On Board Festival abandonou a embarcação para um almoço de networking no Armazém do Peixe. O momento reuniu à mesa empreendedores, incubadoras, aceleradores e investidores e contou ainda com um fireside chat especial dedicado ao tema “Australian Startup Ecosystem Overview”.
 
Frank Wyatt, Academic Director do International Institute of Entrepreneurship, conversou com Rui Santos Couto, cofundador da Founders Founders, para apresentar as oportunidades e as características do ecossistema australiano e revelar o potencial que este hub internacional tem para oferecer às startups e aos empreendedores portugueses. 
 
05.12.2017