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Ecofriendly distingue jovens designers

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Para lá das tendências do próximo inverno, o Portugal Fashion, que decorreu de 21 a 24 de março, apresentou propostas de vestuário amigas do ambiente. Tratou-se do resultado do concurso Ecofriendly, cujos três melhores coordenados estiveram expostos na Alfândega do Porto, durante os três dias de desfiles que ali aconteceram, depois do lançamento do certame em Lisboa, no dia 21. O desafio de ecodesign foi lançado pela ANJE, que no decorrer do evento revelou a classificação final da competição e procedeu à entrega de prémios. Conheça agora as propostas ecológicas dos vencedores. 

A dupla Mónica Águas e Ruben Damásio (Modatext Lisboa) conquistou o primeiro lugar do concurso com uma criação confecionada a partir da utilização de fio de cortiça como “matéria-prima para a conceção de malhas”, bem como da reutilização de sarapilheira e da manipulação de corda composta por fibras naturais, “tais como algodão, juta, sisal, linho ou até mesmo seda”.

Luís Miguel Emídio (Modatext Lisboa) distinguiu-se na segunda posição com uma proposta concebida com “materiais 100% naturais (…), tingidos naturalmente através do chá de diferentes ervas” e com acabamentos que incluem “pontas queimadas” em substituição de bainhas.
 
O terceiro lugar foi arrecadado por Mara Índio (Faculdades de Belas Artes do Porto), que concebeu um coordenado composto por “um camisolão com vários cortes e aplicações de anilhas” e um “casaquinho feito de fitas de cassete VHS”.
 
Ecodesign pronto-a-vestir 
 
A seleção dos finalistas obedeceu a um conjunto de critérios artísticos e ambientais, nomeadamente o desenvolvimento temático e conceptual, a originalidade, a estética dos croquis a qualidade e o processo de obtenção das matérias-primas, a sustentabilidade de todo o processo produtivo implicado e, por fim, a qualidade do produto acabado, bem como o seu comportamento após a utilização. 
 
Os finalistas do concurso Ecofriendly contaram com o apoio da ANJE para confecionar os croquis apresentados a concurso. “A iniciativa Ecofriendly assume-se sobretudo como uma ação de estímulo à aplicação de conceitos e práticas sustentáveis no universo da moda, dando a conhecer ao mercado alternativas viáveis e criativas para a conceção de vestuário”, afirma o presidente da ANJE, Francisco Maria Balsemão. “Aliamos a estes objetivos aquele que é um propósito matricial do Portugal Fashion, a descoberta de novos talentos, e lançamos o desafio à comunidade de jovens designers nacionais. O resultado não poderia ser melhor: propostas irreverentes, que aliam as preocupações ambientais à qualidade artística e à inovação ao nível da seleção de materiais e das técnicas de confeção”, acrescenta o mesmo responsável.   
 
“A visibilidade que pretendemos conceder a estes trabalhos ambiciona ainda incutir no consumidor final a valorização das criações sustentáveis e o reconhecimento de valor acrescentado. Na verdade, esta missão evangelizadora que estamos a abraçar – a promoção do ecodesign na moda nacional – só alcançará resultados se atuarmos a dois níveis: por um lado, junto das empresas têxteis e dos designers, por outro, junto dos consumidores”, afirma Francisco Maria Balsemão, a propósito do Ecofriendly. Esta é uma ação do projeto Competitividade Responsável, através do qual a ANJE pretende assumir um papel estruturante ao nível da responsabilidade social e ambiental na indústria da moda. 
 
 
29.03.2012