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Roupa sensorial para crianças com necessidades especiais

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Luzes, sons, zippers, molas, aromas e muitas cores compõem as inovadoras peças de vestuário infantil do projeto sensorialFIT. São roupas funcionais, fáceis de vestir e despir, que através destes acessórios interativos visam estimular o desenvolvimento sensório-motor das crianças com necessidades especiais. Um “mix” de design e tecnologia, proposto pela criadora de moda Ângela Pires. Apoiada pela ANJE, no âmbito do projeto Tec-Empreende, a jovem de 27 anos conseguiu transformar a tese de mestrado num plano de negócios promissor e acaba de vencer o Prémio SIM’12, um galardão de indústrias criativas no valor de 25 mil euros. 

“Esta ideia surgiu quando fiz a tese de Mestrado em Design de Moda na UBI (2008) e procurei desenvolver um conceito de vestuário que pudesse intervir na melhoria da vida das pessoas. O ponto de partida foram as crianças com atrasos de desenvolvimento psicomotor que têm, por um lado, dificuldade em vestir-se sozinhas e, por outro, necessitam de uma intervenção terapêutica contínua”, afirma a jovem natural da Covilhã. Quatro anos mais tarde, e depois de ter iniciado uma carreira enquanto designer de moda na indústria de vestuário nacional, Ângela Pires retomou o projeto universitário através do IdeaMove, uma competição de empreendedorismo integrada no programa Tec-Empreende, levado a cabo pela ANJE em parceria com o INESC. 
 
Agora, a constituição da empresa está prestes a acontecer e a futura empresária empenha-se na procura de parceiros que possam apoiar a sensorialFIT “ao nível da produção e distribuição”. Argumentos não faltarão na hora de apresentar as vantagens competitivas do negócio. Ângela Pires está certa de que idealizou um “um produto inovador, sem concorrência direta no mercado”. De resto, as necessidades associadas a este produto são globais, pelo que é também significativo o potencial de internacionalização da empresa. 

Peças modulares, interativas e terapêuticas

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Disponíveis para crianças dos 2 aos 14, as peças da sensorialFIT, revelarão “potencialidade para inúmeras derivações”. Tudo devido aos acessórios modulares, “que podem ser aplicados em qualquer peça-base e adquiridos separadamente, em função das necessidades de cada criança”, esclarece Ângela Pires. Necessidades essas que desde já podemos dividir em três níveis: motricidade fina (acessórios que visam estimular o desenvolvimento dos movimentos mais minuciosos, como por exemplo um bolso com zippers, botões de vários tamanhos, molas de encaixe e atacadores); estimulação sensorial (elementos que estimulam os sentidos através de cores, luzes, sons, aromas e texturas); e desenvolvimento cognitivo (acessórios que assumirão a forma de jogos, permitindo a associação de cores, formas ou números). 

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O objetivo é começar apenas com “coleções de partes de cima (t-shirts, camisolas, etc), mas futuramente o conceito poderá ser estendido a uma coleção completa”, adianta a empreendedora que reside atualmente em Vila do Conde. “Outro projeto futuro poderá ser a criação de uma linha para adultos, com as mesmas preocupações funcionais”, confessa. Mas a estratégia da sensorialFIT deverá passara sempre pelo desenvolvimento de produtos para nichos de mercado. De resto, Ângela Pires diz que só através da aposta em nichos e em produtos de qualidade superior será possível triunfar num setor como o da moda, onde “já existem imensas marcas de mass market”, com as quais é “quase impossível competir”.

O futuro da moda será tecnológico?

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Ângela Pires acredita que “as novas tecnologias se assumem cada vez mais como um fator de inovação e diferenciação na moda”, mas defende a sua posição de criadora, alertando que estas “deverão sempre andar de ‘mão dada’ com o design”. “O designer de moda tem um papel fundamental em articular todas as componentes principais (tendências, matérias-primas, tecnologia, funcionalidade, conhecimento sobre o consumidor, etc.), de forma a criar um produto que seja interessante também do ponto de vista comercial”, complementa, revelando já uma visão mais empresarial do mercado. 

Uma visão que lhe terá valido a vitória na competição liderada pela Samsung, da qual a ANJE é também parceira. O plano de negócios de Ângela Pires distinguiu-se entre os demais projetos do setor das indústrias criativas candidatos ao SIM’12, não só pela inovação que lhe está associada, mas também pela viabilidade comprovada. Atualmente, a empreendedora encontra-se ainda a receber acompanhamento por parte da ANJE e do INESC, no sentido de materializar o plano traçado. Entre os instrumentos do IdeaMove que permitiram “passar da ideia à prática” Ângela Pires distingue os “workshops sobre áreas que são fundamentais para arrancar com um negócio, como gestão, marketing, estratégia ou liderança. Mas nem só de competências é feito este programa e a consciência disso mesmo leva a empreendedora a realçar “a importância do networking, sobretudo na fase inicial dos Campos de Treino de Empreendedorismo, onde houve uma partilha muito enriquecedora entre todos os promotores envolvidos nos projetos e a equipa da ANJE”. 
 
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04.12.2012