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Projeto high-tech no setor pecuário

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Já deram nome a conceituadas obras literárias e cinematográficas, mas é pouco frequente a sua associação às temáticas do empreendedorismo e da tecnologia. Os mamíferos artiodáctilos da família dos suídeos, mais conhecidos por porcos, são no entanto protagonistas na história empreendedora de Rui Valpaços. Aos 32 anos, este engenheiro mecânico de formação soma já três negócios, todos eles com o referido animal como denominador comum. O seu projeto mais recente visa o desenvolvimento de soluções tecnologicamente inovadoras para a suinicultura e é apresentado por estes dias no certame alemão EuroTier, um dos maiores e mais conceituados eventos globais de produção animal. 

“O objetivo da marca ScrofaTech é comercializar um conjunto de soluções que irão automatizar procedimentos básicos na suinicultura, tais como a identificação de animais, a deteção e monitorização de partos, o controlo do ciclo reprodutor suíno, a higienização no interior da exploração e o tratamento do chorume [gordura expelida pelo tecido adiposo]”, descreve Rui Valpaços. A todas estas soluções soma-se ainda um software de controlo, que possibilita a “gestão e supervisão total da exploração”, estando inclusivamente disponível em versão mobile.  
 
Empresário desde os 18 anos, Rui Valpaços tem consciência da importância da diferenciação no mundo dos negócios, pelo que é perentório ao esclarecer que “este conjunto de soluções tecnológicas diferencia-se por ser único no setor pecuário, introduzindo tecnologias de ponta na área da radiofrequência, da visão artificial e da robótica industrial”.
 
Vamos aos exemplos: a tecnologia RFID UHF é utilizada para identificar animais baia a baia; a tecnologia kinect possibilita a deteção de partos e a monitorização do crescimento dos leitões; e um robô autónomo assegura o controlo do ciclo reprodutor suíno, assim como a estação de tratamento de resíduos. 
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Proposta ecológica para os maiores produtores mundiais 

A proposta de valor central para as explorações de todo o globo passa, obviamente, pela redução de despesas (com ração, materiais de inseminação, saúde, consumo energético, entre outros), mas as vantagens decorrentes destas soluções são também ecológicas. A ambição de Rui Valpaços passa, por isso, por “comercializar este conjunto tecnológico para o grupo de mercados que representa os maiores produtores mundiais de carne suína: EUA, Brasil, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Polónia, Rússia e China”. Para a distribuição global, estão já estabelecidas parcerias internacionais, designadamente com as distribuidoras comerciais Magapor e Eurogan. 
 
Mais do que um nome de família, Valpaços é também a terra natal do jovem empreendedor, que cedo decidiu enveredar pelo mundo dos negócios. Foi aí que, ainda enquanto estudante, constituiu a sua primeira empresa: um centro de produção de leitões. Dedicou-se depois ao apuramento genético de uma raça própria, que desde 2008 pode ser degustada no restaurante Leitão e Coisas (Porto), o seu segundo projeto empresarial. A criação da RVLP Technologies - empresa detentora das soluções ScrofaTech - aconteceu em 2010, fruto do know-how adquirido, bem como de uma ambição empreendedora mais madura e adaptada às necessidades do mercado. 
 
Rui Valpaços licenciou-se em Engenharia Mecânica na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, tendo mais tarde frequentado o Programa de Direção de Empresas AESE (Lisboa) / IESE (Barcelona). Uma formação que contribuiu para a visão estratégica com que aborda os negócios. O futuro, diz, passará pela continuidade dos trabalhos de investigação e desenvolvimento de soluções tecnológicas da RVLP, cujo âmbito poderá extravasar o setor da suinicultura. Mas a criação de leitões e a restauração continuam a merecer uma atenção particular por parte deste associado da ANJE. Daí que estejam também lançadas as bases de dois novos projetos: uma nova exploração em Sobrado e a abertura de um restaurante em Paris. 
 
 
13.11.2012