PT | EN

De arquitetos a cientistas da criatividade

Perfil_lu%c3%ads_de_sousa

São programadores culturais de Guimarães Capital Europeia da Cultura - onde têm também dinamizado iniciativas de suporte e estímulo à criatividade - mas foi pelo Porto que começaram e é precisamente na invicta que organizam anualmente o Get Set Festival, evento internacional de apoio aos jovens criadores. Falamos de quatro arquitetos que podemos até intitular de cientistas criativos, uma vez que é em laboratório que trabalham. OPO’Lab é o nome deste projeto de experimentação e exploração, que fomos conhecer através de Luís de Sousa, um "enfant terrible" de apenas 26 anos, que se diz movido “por uma irreverência quase absoluta”. 

“O OPO’Lab foi criado com o propósito de disponibilizar aos criativos, e também ao público em geral, algumas tecnologias digitais de conceção e fabrico normalmente apenas acessíveis à indústria”, explica o jovem empreendedor. Mas o que efetivamente o distingue das demais empresas de fabrico digital “é o facto de a oferta tecnológica de que dispõe ser completada por um acompanhamento técnico e criativo personalizado. Este projeto não foi criado com o intuito único de resolver desafios de ordem técnica, tendo também por objetivo aconselhar e orientar os criativos que procuram o seu apoio em áreas como a promoção e a valorização comercial do respetivo trabalho”, sustenta Luís de Sousa.  
 
É neste sentido que, muitas vezes, o projeto acaba mesmo por associar-se aos criativos como parceiro ativo no desenvolvimento de soluções para mercados como o da arquitetura ou do design de equipamento. “O OPO'Lab assume-se como uma entidade global e plural, que no diálogo com os seus clientes não se limita a prestar um serviço e procura também identificar e estabelecer sinergias e parcerias entre estes”, afirma o arquiteto. 
 
De resto, na sua abordagem ao mercado, o OPO’Lab disponibiliza serviços de curadoria e desenho de eventos, exposições e conferências. Inclui, assim, na carteira de clientes entidades públicas ligadas à cultura, mas também públicos empresariais, nomeadamente PME. É que as tecnologias e a criatividade dos quatro arquitetos também têm sido aplicadas na prestação de serviços de I&D para o mercado empresarial. 
 

O automóvel que levita e a Capital Europeia da Cultura

O OPO’Lab tem sede no centro da cidade do Porto, onde no começo do ano recebeu a visita do Presidente da República, no âmbito de um roteiro dedicado às Indústrias Criativas. Mas o envolvimento com a Capital Europeia da Cultura tem justificado uma divisão de atenções com Guimarães. No berço da nação, a empresa foi convidada para dinamizar um programa de promoção da criatividade, incluindo visitas de estudo, oficinas e workshops temáticos. De resto, tem vindo a colaborar na dinamização de concursos ao nível da arquitetura e do design e a trabalhar de perto com designers, assegurando o fabrico das propostas que também ajuda a desenvolver. Luís de Sousa destaca, por exemplo, a sinalética da cidade, trabalhada em conjunto com uma designer austríaca. 

Relativamente ao historial de trabalhos desenvolvidos o arquiteto destaca ainda a consultoria e produção técnica do projeto Bairros Criativos (Porto) e a curadoria de uma exposição comemorativa do Ano Internacional da Juventude (2011), iniciativa do Ministério da Cultura, em parceria com a Fundação da Juventude. No patamar empresarial, é inevitável referir o desenvolvimento de um protótipo de um carro que levita com balões de hélio e a organização da Exposição “20 Anos Autoeuropa”. 
 

Festival de jovens criadores

Ainda que que se assuma apaixonado pela área dos meios digitais de conceção e fabrico, Luís de Sousa não esconde a entusiasmo redobrado em torno da organização do Get Set Festival. Na verdade, este é um projeto que liderou desde o primeiro momento, inicialmente como uma atividade autónoma e, numa segunda fase, como iniciativa da empresa que agora integra. “Realizada a primeira edição do Get Set, deu-se então a fusão dos dois projetos em que trabalhava e assim nasceu o OPO'Lab enquanto empresa instituída”, recorda Luís de Sousa, que desde essa altura divide responsabilidades com João Barata Feyo, José Pedro Sousa e Luís Fernandes. 

A próxima edição do Get Set é já em outubro e promete muitas surpresas. Luís descreve o certame como uma “vitrina” que tem por “objetivo apresentar o trabalho de vários artistas - estudantes e jovens profissionais - ao público em geral, ao mesmo tempo que promove a interação, formação e troca de conhecimentos entre elementos de diferentes áreas”. Na mesma lógica de atuação, o OPO’Lab desenvolveu em 2010 uma plataforma online, a Youngcreators.net, que se assume como “uma via eficaz para o aumento da exportação da arte e do design” portugueses.  
 
O empresário reconhece o potencial criativo do Porto enquanto polo de criatividade e confessa ser da opinião de que os apoios às indústrias criativas se devem efetivar pela via do empreendedorismo, pois só assim será garantido o impacto no “crescimento da economia nacional”. E em matéria de conselhos empreendedores o jovem que se assume como um “outsider desafiador do pensamento imposto” afirma que “na materialização final de uma ideia apenas resta o reconhecimento, alguma exposição e a angústia de ser o ponto final de um caminho”. Por isso, partilha a sua estratégia de motivação, otimismo e inovação: o “envolvimento simultâneo em diversos projetos, experimentando bastante e nunca repetindo receitas”. Ora, não repetindo, mas replicando e reinventando, acreditamos que outros empreendedores criativos poderão ser inspirados por esta fórmula. 
 
07.08.2012