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App de topo revoluciona métodos de trabalho e estudo

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EUA, México, Brasil e França são os quatro mercados responsáveis por mais de 90% das vendas da aplicação TOP Files. Desenvolvida com o acompanhamento da ANJE, no âmbito do projeto Tec Empreende, a aplicação atingiu os “tops” internacionais da App Store, a loja virtual da Apple, em apenas dois meses. Mas esta solução de gestão de ficheiros trata-se apenas do primeiro produto de uma “suite de apps” com a qual a startup TOP Research se propõe revolucionar métodos de trabalho, estudo e investigação. Motivado pela resposta a uma necessidade partilhada por cerca de 150 milhões de pessoas em todo o mundo, Nelson Pereira confessa-se otimista na aplicação de um modelo de negócio global, embora reconheça o desafio constante imposto pelo mercado mobile. 

A ideia de negócio surgiu durante o doutoramento em Media Digitais, um programa da Universidade do Porto, em conjunto com a Universidade do Texas, em Austin. “Eu e muitos colegas tínhamos um problema: andávamos sempre com o PC portátil atrás, que é pesado, demora a ligar e parece que fica sempre sem bateria, quando mais precisamos”, recorda o empreendedor de 32 anos. Mestrando e investigador, Nelson Pereira, rapidamente identifica a causa dessa necessidade tecnológica constante: “precisamos de acesso à internet, precisamos de ler textos, livros, documentos e artigos. Mas, acima de tudo, precisamos de escrever trabalhos académicos, fazer as respetivas apresentações e gerir todas as nossas fontes bibliográficas”.
 
Com a chegada dos tablets, o empreendedor pensou ver alcançada a solução, ao nível do hardware, e deparou-se com a sua oportunidade de negócio: a ausência de uma aplicação que cobrisse todas as exigências académicas e profissionais. Lançado o desafio a Miguel Jesus, colega de longa data, aderiu ao programa de empreendedorismo tecnológico desenvolvido pelo consórcio ANJE / INESC, com o propósito de criar a TOP Research. 
 
Formalmente constituída em janeiro de 2012, a startup tem por “missão criar ferramentas que possam ajudar a criatividade e produtividade das pessoas que estudam, investigam e trabalham de uma forma dinâmica e em vários locais”, sistematiza o empreendedor. “A TOP Suite [composto de três aplicações, que estarão entretanto disponíveis] é primariamente direcionada para o mercado da educação, mas também tem funcionalidades que lhe permitirão ser um sucesso no mercado empresarial, proporcionando a desejada funcionalidade do iPad com o MS Office do PC”, complementa o empresário que, à semelhança do sócio, tem formação base na área do design e foi nesse âmbito que iniciou a sua carreira profissional.   
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Referência no texto, revolucionária nas apresentações 

O potencial máximo da app TOP Files será atingido, de acordo com Nelson Pereira, quando as funcionalidades que estão atualmente a ser desenvolvidas estiverem implementadas e toda a “suite” de aplicações ficar disponível. Mas de que estamos a falar concretamente? Comecemos, então, pela TOP Files, a solução já utilizada por mais de 500 mil pessoas em todo o mundo, que permite organizar pesquisas, ler, estudar, tomar notas, arquivar fontes e referências, para além de possibilitar abrir, copiar, partilhar e imprimir um documento, mover ficheiros entre “clouds” e sincronizar pastas. 
 
O que se segue? O TOP Writer, “uma aplicação com todas as funcionalidades necessárias para escrever um texto académico - como gestão automática de bibliografia, notas de rodapé, cite while you write - e é compatível com o formato .docx do Microsoft Word, segundo a norma ISO29500”, antecipa Nelson Pereira. A app estará disponível em junho, com o objetivo de “ser o processador de texto de referência nos dispositivos móveis”. 
 
A oferta ficará completa com o TOP Presenter, através da qual esta startup visa somar pontos na cadeia de valor. É que a aplicação, descrita pelo empresário como “revolucionária e surpreendente”, deverá ser a primeira a permitir “criar uma apresentação digital automaticamente, a partir de um documento de texto”. Nelson Pereira não esconde o entusiasmo na antevisão do projeto: “é incrível e simples, basta selecionar o documento, escolher o design da apresentação e calcar ‘criar’. Pronto! Temos uma apresentação em slides, com o texto e as imagens do nosso documento de texto usado como referência”. 
 
Os empreendedores da TOP Research estudaram o mercado e garantem não existir atualmente qualquer oferta, no campo das aplicações móveis, com todas estas potencialidades ao nível da produção de documentos académicos. Atualmente, o TOP Files está apenas disponível para iOS, sendo objetivo da startup entrar no mercado Android, no final de 2014. Rigoroso nas previsões, Nelson Pereira diz ter agora um “roadmap de desenvolvimento de produtos e funcionalidades”, definido, precisamente, até ao final do próximo ano. “No entanto, este é um mercado muito dinâmico e em constante alteração, desta forma o roadmap estabelecido é revisto mensalmente”, confessa.  
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"As empresas que se adaptam são as que melhor sobrevivem"

Nelson Pereira acredita que “os dipositivos móveis serão a grande forma de computação pessoal durante esta década” e “vão provavelmente substituir o computador portátil”. Porém, também reconhece que “o mercado começa a ficar saturado e sobrepovoado”, o que obriga “estar atento todas as semanas e reajustar os produtos e a estratégia quase em tempo real ao mercado, às suas variações e tendências”. “Um ano na indústria do software móvel é como cinco anos de evolução nas indústrias ditas tradicionais, acontece tudo muito rapidamente. Usando um pensamento de Charles Darwin, as empresas que melhor sobrevivem são as que melhor se adaptam e não necessariamente as mais fortes”, complementa. 
 
No primeiro ano de atividade, a TOP Research contou com um investimento de 60 mil euros, número que este ano deve ser largamente ultrapassado, até porque, argumenta o empresário, “o projeto tem um potencial de evolução grande, podendo no limite tornar-se para os tablets o que o Microsoft Office é para os computadores”. A empresa não beneficiou, até ao momento, de qualquer apoio financeiro, mas possui uma candidatura em curso aos fundos do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional. 
 
Atualmente composta por três elementos, os dois sócios e um colaborador, a equipa desta startup deverá este ano ser reforçada por mais um elemento. Para chegar até aqui, passando de uma ideia académica para a materialização de um negócio, o designer que se fez empresário reconhece o contributo “fundamental” do projeto Tec Empreende. “O apoio e formação obtidos, sobretudo na área de gestão, plano de negócio e financiamentos foi muito importante para definirmos o modo como íamos começar a desenvolver os produtos, otimizar recursos, recorrer a financiamentos, etc. Tivemos toda a orientação e apoio necessário para a constituição da empresa assim como encontramos a melhor solução para começar a desenvolver os produtos com os meios disponíveis”, afirma o empreendedor tecnológico. 
05.05.2013