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A língua portuguesa “brilha na globalização”

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A língua portuguesa “brilha na globalização” e deve ser uma aposta estratégica para as empresas nacionais. Foi com esta ideia forte que o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Luís Campos Ferreira, abriu, no passado dia 6 de dezembro, uma iniciativa promovida pela ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários no hotel Sheraton, no Porto. Intitulado “Os Jovens Empresários, a Europa e a Cooperação”, o evento reuniu um vasto conjunto de empresários e representantes políticos e institucionais, entre portugueses e brasileiros, com o propósito de refletir as sinergias empresariais no espaço europeu e no mundo, partindo das relações económicos e culturais entre os países da lusofonia.
 
“Os países lusófonos integram uma comunidade de 250 milhões de pessoas, em quatro continentes e a sua influência política e económica está notoriamente em crescimento. Mais de 50% do petróleo descoberto nos últimos 10 anos fala português. É um dado significativo e o português é hoje a principal língua de trabalho das empresas desse setor”, afirmou Luís Campos Ferreira.
 
Entre os demais números utilizados pelo secretário de Estado com o propósito de alertar os jovens empresários para a emergência do mercado lusófono destacam-se os relativos à utilização do português na Internet e à introdução da língua de Camões nos programas curriculares de países onde este não é idioma oficial. Quanto ao primeiro exemplo, Luis Campos Ferreira fala das “taxas de crescimento impressionantes, nomeadamente junto da população jovem” para dar conta de que o português é a quinta língua mais utilizada na web e a terceira nas redes sociais Twitter e Facebook. Já no que concerne ao crescimento do ensino em países não lusófonos, o retrato não poderia ser melhor escolhido: “na República Popular da China, há cinco anos, havia três universidades a ensinar a língua portuguesa, hoje, há 27”, afirmou o governante.
 
Depois de constatar que “as empresas portuguesas devem olhar para estes mercados como apostas importantes nas suas estratégicas de crescimento e internacionalização”, Luis Campos Ferreira sublinhou que “o Governo está empenhado em ajudar as nossas empresas a acompanharem as perspetivas de progresso dos mercados do mundo português”. E foi ainda nesse sentido que acabou por reconhecer que “a prioridade dada à lusofonia também se encontra refletida na nossa política de cooperação, pois essa ligação faz parte do nosso adn”. 

As prioridades nacionais e os alvos dos jovens empresários

A propósito de prioridades o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação fez, inclusive, questão de dar a conhecer os eixos estratégicos da cooperação nacional, ao nível geográfico e setorial. No campo geográfico, a primazia é dada aos PALOP, sendo que a estratégia passará por potencializar economicamente as vantagens corporativas, culturais e históricas que temos nesses territórios. Setorialmente falando, Luis Campos Ferreira evidencia a educação e a capacitação institucional, sendo nesta última que os empresários poderão depositar maiores expectativas ao nível das relações económicas. “Ao apoiar a criação de contextos jurídicos e institucionais consistentes e bem estruturados, a cooperação portuguesa também está a ajudar a construir as condições para que as nossas empresas possam ir a esses mercados e encontrar instituições públicas capazes de as apoiarem nos seus investimentos”, sustenta o mesmo responsável.

A cooperação, numa ótica mais empresarial, foi também o foco da intervenção do presidente da ANJE. João Rafael Koehler afirmou que “a cooperação e as relações comerciais externas têm sido as prioridades da ação da associação”, acrescentando que, “nesta sua estratégia de aprofundamento de relacionamento com o exterior, a ANJE definiu dois alvos preferenciais: a Europa e a lusofonia”.

Encarando a Europa como o espaço civilizacional onde Portugal se insere e o universo lusófono como um polo de oportunidades potenciadas por afinidades múltiplas, a ANJE tem privilegiado, sobretudo, o aprofundamento das suas relações com associações congéneres, tanto no contexto europeu como no das comunidades lusófonas. “Com parceiros locais animados pelos mesmos propósitos, temos maior capacidade de apoiar as relações comerciais externas, a cooperação entre empresas e as estratégias de internacionalização dos jovens empresários portugueses”, acrescentou ainda o presidente da associação. 

Jovens empresários brasileiros falam dos “dois lados da moeda”

Um desses parceiros da ANJE é a brasileira CONAJE – Confederação Nacional de Jovens Empresários. O seu presidente, Rodrigo Paolilo, também marcou presença nesta iniciativa e fez questão de sublinhar a disponibilidade desta associação para “intermediar negócios internacionais” e “facilitar o acesso a mercados”. O responsável apresentou aos empresários portugueses um Brasil “com os dois lados da moeda”, pautado por oportunidades e desafios.

No polo negativo, Rodrigo Paolilo diz que o país já perdeu boas oportunidades de mudança “para criar um ambiente mais favorável aos negócios”. Para “construir uma rede e um ambiente de negócios que permita ao brasileiro, mas também a todos os que queira investir no Brasil, ter um sucesso maior nos seus negócios”, o presidente da CONAJE defende “alterações estruturais” ao nível tributário, laboral e logístico. A estes níveis, sustenta, o país do samba possui ainda um “sistema altamente complexo” e caro.

Defensor de um país mais aberto, o embaixador dos jovens empresários brasileiros deixou, ainda assim, uma mensagem positiva ao nível das oportunidades de investimento e das transações comerciais, sugerindo uma análise diferenciada ao nível setorial. “A política brasileira é muito confusa em temos de desenvolvimento industrial e de desenvolvimento de mercados. Não existe uma política integrada de acesso ao mercado. Existem políticas setoriais, que variam muito”, afirmou.

As infraestruturas evidenciam-se entre as opostas mais certeiras. De acordo com Rodrigo Paolilo, “muitos setores e muitas regiões brasileiras ainda carecem de infraestruturas e isso é uma oportunidade para os empresários, não só do país mas de todo o mundo”. Reforçando ainda as características culturais que fazem dos brasileiros bons interlocutores no campo negocial, o líder da CONAJE reconheceu também, pela positiva, que “o Brasil avançou muito em vários setores” e frisou o potencial decorrente do poder de compra local: “temos um grande mercado, o nosso poder de compra aumentou absurdamente e temos um grande potencial de desenvolvimento em muitos setores ainda pouco desenvolvidos”. 

13.12.2013