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Aireclaim tem 90% de sucesso na defesa de direitos contra as companhias aéreas

Destaque
O seu voo foi cancelado sem aviso prévio superior a 14 dias? Perdeu a conexão porque o seu primeiro avisão partiu atrasado? Foi impedido de embarcar sem motivo válido de acordo com a legislação em vigor? Já não precisa de esperar horas nas longas filas de reclamação das companhias aéreas no aeroporto, porque existe uma solução made in Portugal, imediata e online – Aireclaim. A startup instalada no Centro de Incubação e Aceleração Portugal Global da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários cresceu 300% no último semestre, trabalha com clientes de diferentes geografias mundiais e tem uma taxa de sucesso a rondar os 90% nas reclamações apresentadas. Adriana Calejo, cofundadora da Aireclaim, explica o modelo de funcionamento da startup tecnológica pioneira em Portugal.
 
 
1. Quando e de que forma surgiu a Aireclaim?
 
A Aireclaim surgiu em 2015 após o atraso na viagem de um dos nossos sócios fundadores. Nessa situação apercebemo-nos que havia uma oportunidade de mercado que consiste em defender o direito dos passageiros, uma vez que as companhias aéreas não dão qualquer informação sobre a existência de legislação neste âmbito.
 
2. Quais os serviços proporcionados pela plataforma? Em que situações pode o cliente contar com a intervenção da Aireclaim?
 
O serviço que oferecemos é a intermediação de todo o processo de pedido de compensação e/ou reembolso dos gastos incorridos face a uma “disruption” de um voo contratado. Situações de atraso de voo, cancelamento, conexões de voo perdidas ou impedimento de embarque devem obedecer a vários parâmetros definidos pela lei europeia. Quando um voo é cancelado sem aviso prévio superior a 14 dias, regista um atraso superior a três horas ou se um passageiro perde um voo devido ao atraso do voo anterior pode contar com a nossa intervenção.
 
3. O cliente foi lesado pela companhia aérea e procura os serviços da Aireclaim. Qual é o processo que se segue até ao desfecho reclamação?
 
Somos uma empresa online e, por isso, os clientes encontram-nos sobretudo através do Google. A informação fornecida com o preenchimento do formulário do nosso site permite-nos, através de um algoritmo, fazer uma triagem inicial automática e informar, à partida, se os passageiros têm direito a alguma compensação e qual o seu valor. Depois de uma verificação da validade do caso, enviamos um contrato que nos permite atuar em nome do cliente, a quem pedimos os documentos da viagem para iniciarmos o processo.
 
Depois deste passo, a Aireclaim entra em contacto com a companhia aérea e encarrega-se de toda a intermediação para garantir um resultado favorável aos passageiros. Em alguns casos é necessário enviar o processo para as entidades legais competentes por não haver consenso entre a nossa posição e a da companhia aérea. No final, apenas cobramos comissão pelo serviço prestado se ganharmos o caso.
 
4. Em que medida é que a Aireclaim é pioneira em Portugal? De que forma é que o processo da startup vem inovar e acrescentar valor face ao processo de reclamação tradicional?
 
A Aireclaim é a primeira empresa portuguesa que marca uma posição neste setor caraterizado pela sua singularidade, sendo que cerca de 99% dos passageiros afetados desconhece o direito à compensação. Apesar da legislação existir há mais de uma década, muitos passageiros desconhecem os seus direitos. Acrescentamos valor por darmos a conhecer esta possibilidade e porque as companhias aéreas dificultam este processo desde o início, tornando qualquer reclamação inacessível no seu site, prestando um atendimento ao cliente demorado ou sem feedback e apresentando argumentos evasivos. A nossa missão é simplificar o processo. A experiência que adquirimos desde 2015 permite-nos concluir um caso esgotando todas as possibilidades de refutação, facto que se traduz numa grande vantagem face ao processo tradicional.
 
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6. Qual a taxa de sucesso verificada nas situações que reportaram até ao momento?
 
Como a maior parte das reclamações é rejeitada inicialmente pela ausência de argumentos sólidos que justifiquem a posição da companhia aérea, nós procuramos fazer uma análise profunda e cruzar a diversa informação que temos disponível nas nossas bases de dados de maneira a constatar a veracidade das situações que nos são apresentadas. Até o momento cerca de 90% das situações expostas são casos de sucesso! 
 
CARTEIRA DE CLIENTES E VOLUME DE NEGÓCIOS EM EXPANSÃO
 
A Aireclaim tem sede no Porto, mas afirma-se como uma empresa europeia. Quais países mais representados na vossa carteira de clientes?
 
A nossa carteira de clientes não segue um padrão singular, estando dependente de diversas variáveis. Curiosamente o layout do nosso site atraiu maioritariamente clientes do leste europeu no início da atividade. No entanto, à medida que fomos ajustando a nossa estratégia de marketing digital, a capacidade de absorção de clientes expandiu-se ao resto da Europa. E, apesar da limitação territorial da aplicação da legislação, angariamos clientes de todos os continentes.
 
Quais são as métricas de desempenho mais relevantes para a Aireclaim? Quais os níveis de crescimento registados no passado recente?
 
As principais variáveis que temos em conta são a taxa de sucesso dos nossos casos, o tempo de resposta e o tempo de recebimento das compensações. Temos registado um crescimento gradual durante os últimos anos, mas, por exemplo, neste último semestre, crescemos cerca de 300%.
 
Quais são os próximos passos da Aireclaim no mercado?
 
A nossa prioridade agora é estabilizar operacionalmente, de maneira a conseguirmos manter os níveis de atividade registados e depois atacar o mercado. Este é um mercado tão denso que ainda temos ainda muito trabalho pela frente. O nosso know-how está aqui. Eventualmente poderemos considerar a diversificação geográfica antes de pensarmos na cobertura das reclamações noutros meios de transporte. 
 
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BI DOS EMPREENDEDORES
 
Luís Sousa é um engenheiro Informático pela FEUP com uma carreira notável na sua área e uma grande paixão por pilotar aviões, hobby que pratica desde jovem.
 
Francisca Araújo formou-se em Gestão de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa, após uma passagem por São Paulo onde concluiu um MBA em Marketing. A empreendedora integrou diferentes áreas corporativas até iniciar o projeto onde se encontra agora.
 
Adriana Calejo é formada em Economia pela FEP e pretende aprofundar os seus conhecimentos em Marketing Digital e Estratégico. Após uma experiência numa multinacional portuguesa apercebeu-se que precisava de um ambiente mais desafiante e pró-ativo, integrando o mundo do empreendedorismo através de vários projetos entre os quais a Aireclaim se assume como prioridade.
 
Nuno Sousa concluiu a sua formação em Bioengenharia pela FEUP e de momento está a acabar a tese de Doutoramento. Especializado na área de programação, o empreendedor está, neste momento, a trabalhar no CRM da empresa e a dirigir as áreas de inovação e programação.
 
Carlos Aguiar formou-se em Direito na Universidade Católica Portuguesa e com a experiência adquirida em Direito Europeu está encarregue da parte legal da empresa, analisando os casos em litígio e encaminhando-os para os organismos responsáveis.
 
26.01.2018