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 Dezembro 2006
A vantagem de conhecer os atalhos

Vive na sombra de grandes empresas, mas nem por isso o atalho que seguiu é menos gratificante. A Shortcut tem-se distinguido pelos seus serviços e soluções na área das Tecnologias de Informação, tendo actualmente como parceiras a PT Inovação, a TMN, a Mediadata, a One to One, a Planeta Virtual, a Critical Software, entre outras referências de prestígio. Assim, o que em 2001 começou por ser um mero impulso empreendedor de dois antigos colegas de trabalho, Telmo Silva e Valter Henriques, é hoje um projecto consolidado no sector das TIC, com sede em Matosinhos.

A Critical Software é a mais recente parceira da Shortcut – Consultadoria e Serviços de Tecnologias de Informação, empresa que opera na área da Nova Economia. Os seus dois sócios, Telmo Silva e Valter Henriques, não escondem, aliás, o contentamento por estarem a trabalhar com uma das mais inovadoras empresas portuguesas. Mas, no histórico da Shortcut, surgem outras parcerias de peso, como as estabelecidas com a PT Inovação, a TMN, a One to One, a NetDominium, a Mediadata, a Planeta Virtual ou a Insia.

A Shortcut assume-se, assim, como uma espécie de respaldo tecnológico de grandes empresas, as quais recorrem às suas competências para desenvolver novos produtos e serviços para o mercado das TIC. Neste âmbito, o grupo Portugal Telecom afigura-se como o mais importante parceiro da Shortcut, estando mesmo na génese desta empresa sedeada em Matosinhos. É que Telmo Silva e Valter Henriques eram antigos colegas de trabalho na PT Inovação, tendo o primeiro abandonado a empresa para iniciar o seu próprio negócio, no que foi seguido, mais tarde, pelo segundo.

Estávamos então em 2000, ano em que Telmo Silva, na altura com 25 anos, cria a Shortcut. Depois de uma má experiência com os seus sócios, o jovem empreendedor decide prosseguir sozinho com a empresa. Entretanto, tem a felicidade de encontrar em Valter Henriques, na ocasião com 31 anos e também ele de saída da PT Inovação, um sócio com igual vontade de desenvolver um negócio na vanguarda da tecnologia. Ambos tinham já alguns projectos de trabalho em carteira, pelo que, em Junho de 2001, a Shorcut ressurge a partir do ninho de empresas da Fundação da Juventude do Porto.

Apenas com 5000 euros de investimento, os dois engenheiros de Electrotécnica e Computadores formados na FEUP começavam, então, a percorrer o atalho bem sucedido da Shorcut. Ao fim de um ano, a empresa já contava com dez colaboradores e ia impondo a qualidade das suas soluções ao mercado. Hoje, as cerca de 30 pessoas que compõem a Shorcut geram um volume de facturação superior a um milhão de euros.

A Shorcut opera em quatro grandes áreas: o desenvolvimento de software à medida, designadamente aplicações web e webservices para autarquias (via parceria com a Mediadata); sistemas de informação, em especial para operadores de telecomunicações; serviços de voz, nomeadamente soluções de IVR para atendimento automático e reencaminhamento de chamadas segundo critérios específicos; e SMS, sobretudo para campanhas, jogos e marketing directo.

Segundo Telmo Silva, o grande trunfo da Shorcut é o «pragmatismo». «Vamos ao encontro do que o cliente precisa e com qualidade. Fazemos muito software à medida. Tentamos encontrar a melhor solução para o cliente», explica este jovem empreendedor. Reconhece, no entanto, que a empresa «não se distingue pelo carácter inovador dos seus produtos. Fazemos, sobretudo, desenvolvimento aplicado, que é pegar naquilo que existe e transformá-lo numa coisa melhor». Valter Henriques corrobora o seu colega nesta matéria: «Não inovamos no sentido de inventar a roda, mas sim juntando as rodas todas para fazer um carro melhor».

No futuro próximo, porém, não descartam um maior investimento em I&D. A empresa candidatou-se a vários sistemas de incentivo financeiro, um dos quais para desenvolver investigação na área da gestão do conhecimento. Entre as metas futuras da Shorcut estão ainda a consolidação dos projectos com a PT Inovação e o aprofundamento da parceria com a Critical Software. A internacionalização é, igualmente, um desiderato a perseguir, embora na verdade a empresa já chegue ao mercado externo através dos produtos dos seus parceiros.

Para prosseguir estes e outros objectivos, os sócios da Shortcut acreditam no seu espírito empreendedor, algo que definem como «o bichinho de querer criar algo, mas não por dinheiro», diz Telmo Silva, ou a atitude de «ter um sonho e a seguir realizá-lo», nas palavras de Valter Henriques. É este espírito que gostariam de ver inculcado em potenciais jovens empresários, a quem aconselham a elaborar um Plano de Negócio antes da criação da empresa e a partilhar as suas ideias com outras pessoas. «A discussão permite melhorar a ideia de negócio e, ao mesmo tempo, testar o mercado», diz Valter Henriques, enquanto Telmo Silva exorta os jovens «a não se deixarem abater perante as primeiras dificuldades».

Ambos reconhecem na ANJE um papel importante no apoio aos jovens empreendedores portugueses. Aliás, Valter Henriques frequentou a Escola dos Empreendedores e concluiu o programa JEEP (Jovens Empresários de Elevado Potencial), ao passo que Telmo Silva participou em várias acções de formação da ANJE. Este último deixa, inclusivamente, um repto à associação: constituir-se como uma Sociedade de Capital de Risco, para assim poder apoiar financeiramente novos projectos empresariais. Fica a sugestão.

 

 

[11.12.2006 16:46 - ANJE]

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